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Artista: Vanessa da Matta
Álbum: Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias
Lançamento: 2011
Gênero: MPB
N° de Faixas: 12
Qualidade: 256 Kbps
Tamanho: 42 MB


Tracklist:
01. O Tal Casal
02. Fiu Fiu
03. Te Amo
04. Meu Aniversário
05. Vê Se Fica Bem
06. Bolsa de Grife
07. As Palavras
08. Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias
09. Vá
10. Moro Longe
11. O Masoquista e o Fugitivo
12. Quando Amanhecer

Resenha de Show
Título: Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias
Artista: Vanessa da Mata (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Guaíra (Curitiba, PR)
Data: 30 de outubro de 2010
Patrocínio: Natura Musical
Cotação: * * * * 1/2
Agenda da turnê Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias:
19 de novembro - Recife (PE) - Teatro da UFPE
20 de novembro - João Pessoa (PB) - 
26 de novembro - Feira de Santana (BA) - Garagem
27 e 28 de novembro - Salvador (BA) - Teatro Castro Alves
10 e 11 de dezembro - São Paulo (SP) - Citibank Hall

Em seu show anterior, o vibrante Perfumes de Sim (2009), Vanessa da Mata atingiu ponto de maturação em sua trajetória nos palcos - evolução reiterada e consolidada em Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias. Sob a direção climática de Bia Lessa, nome recorrente nas fichas técnicas de shows de cantoras como Maria Bethânia e Ana Carolina, Mata apresenta espetáculo sedutor. Valendo-se sobretudo do preto e do branco no cenário e na iluminação (cores também adotadas nos dois figurinos de Wilson Ranieri), Bia Lessa realça luzes, sombras e objetos do cancioneiro regional-cosmopolita da compositora com belos efeitos cênicos que valorizam a interpretação das músicas de um roteiro essencialmente autoral. Já no primeiro número, a balada Amado (Vanessa da Mata e Marcelo Jeneci), fica nítida a afinação da parceria da cantora com a diretora de teatro. Mata canta Amado sentada em escada alocada no canto esquerdo do cenário - sob a ótica do espectador - e, quando levanta no verso "Quero dançar com você" para bailar românticamente pelo palco, o efeito é muito sedutor. O uso de vídeos e de ilustrações digitais - projetados nos módulos brancos que compõem o cenário - reforça mensagens, sentimentos e ideias do repertório do disco mais inspirado da artista desde sua arrebatadora estreia (Vanessa da Mata, 2002). Sentimentos que passam pelo filtro romântico pop de temas como As Palavras (Vanessa da Mata), provável grande hit do álbum Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias. A canção se inspira no romantismo de Roberto Carlos, não por acaso autor (com o amigo de fé Erasmo Carlos) da única música do roteiro que não é da lavra de Mata, A Distância, balada triste de 1972 que a cantora entoa com emoção, mostrando que as aulas de canto começam a lhe dar segurança (e alguma afinação) para encarar músicas fora de seu universo autoral. E o fato é que, guiada no palco por suas emoções e por suas alegrias, a artista faz crescer em cena com vivacidade até uma música menor do disco, Moro Longe(Vanessa da Mata), de tons nortistas. Nesse retrato em branco e preto, as cores surgem de forma esporádica, pontuando o clima festivo de Meu Aniversário (Vanessa da Mata) e a poética celebração romântica da delicada canção Quando Amanhecer (Vanessa da Mata e Gilberto Gil), por exemplo. Cultivada  nesse mesmo tempo da delicadeza que faz Quando Amanhecer crescer lindamente em cena, Minha Herança: Uma Flor (Vanessa da Mata) reitera a beleza interiorana em que, em essência, está imersa a música de Mata. Em mix pop de referências do campo e da cidade, o baião tropicalista Bolsa de Grife (Vanessa da Mata) - um dos pontos mais altos do disco - denuncia o prazer fugaz e angustiante do consumismo com arranjo que evoca Os Mutantes. Mas a antenada banda capitaneada por Kassin (no baixo e na direção musical) - embora hábil ao transpor para o palco a sonoridade do disco - não cozinha o baião no ponto exato de fervura, talvez porque Kassin não manipule no show sua guitarra incandescente que valoriza o registro fonográfico da música (ainda assim, Bolsa de Grife é um dos melhores momentos do show). Já Vá - parceria de Mata com o africano Lokua Kanza, alocada no momento enlutado do roteiro - se confirma em cena como o tema menos inspirado da safra de inéditas de Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias. A opção por se livrar do amor que virou peso é reiterada - ainda com algum luto - na sequência que enfileira Boa Sorte/Good Luck (com o tecladista Donatinho assumindo a parte vocal de Ben Harper, parceiro de Mata no tema) eLonge Demais (lado B do primeiro álbum da artista). Contudo, a opção pela vida e a alegria fica explícita em O Masoquista e o Fugitivo (Vanessa da Mata), simbolizada -  inclusive - pelo abandono do figurino preto. De novo vestida de branco, Mata celebra a paz afetiva em O Tal Casal e em Te Amo, número em que o vento esvoaça o vestido da cantora em outro belo efeito cênico criado por Bia Lessa. Vem, então, o bloco das outras alegrias, no qual figura Fiu Fiu. Uma chuva de papel laminado cai então sobre o palco em Ai, Ai, Ai... (Vanessa da Mata e Liminha), encerrando esplendidamente o show mais conceitual e climático de Vanessa da Mata.
via notas musicais

Divulgação

A cantora Vanessa da Mata está lançando o disco Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias



Lembranças da infância, alegrias e até algumas tristezas, com pitadas africanas, dão o tom ao novo disco de Vanessa da Mata, Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias.

O álbum já chega às lojas embalado por O Tal Casal, que está nas rádios.

- O Tal Casal ia entrar no Sim [disco anterior da cantora]. Era uma das cinco músicas que ficaram de fora.

O nome inusitado, ela explica, está relacionado a alguns simbolismos. O bolo é lembrança da infância perto da avó, que preparava a iguaria nas tardes.

- A bicicleta tem uma infância, um sabor poético, tem uma brincadeira de imagem brasileira e ao mesmo mais popular, mais interiorana. Hoje em dia é urbana e não só ligada ao domingo... mas eu sempre gostei desse simbolismo da 'magrela'. O bolo também está relacionado às famílias, ao social, à comida, à coisa da avó, do maternal.

Recheado de boas lembranças do passado, mas algumas tristezas também estão ali.

- Não é um disco extremamente feliz, tem umas sombras, mas eu fico um pouco sacaneando o meu lado muito triste. Eu acho que faz parte de um tipo de composição de hoje em dia, em que a mulher não se afunda depressivamente num romance. Eu acho que o romance foi mudando também, não é uma coisa mais leprosa, dramática. Então tem esse lado, tem a tragédia, mas eu rio dela no final.

Composição

Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias ganhou forma em um final de semana solitário em Itaipava.

- Falei para a minha empresária que precisava de algum lugar em que conseguisse me concentrar, não atender telefone nenhum, não ter nenhum outro objetivo senão esse [compor]. Eu fui para a serra do Rio, em Itaipava, fiquei num hotel distante, no final de semana, tentando rascunhar, ter ideias do que poderia me dar uma segurança maior de um disco responsável a ponto de eu me orgulhar.

Nesse final de semana nasceram canções que, segundo ela, enfileiraram o disco, como Te Amo, Vê se Fica Beme Fiu Fiu. 

O processo de composição solitário, diz, resultou num disco com poucas parcerias. A influência africana aparece em uma delas, Vá, com o congolês Lokua Kanza.

Gilberto Gil assina com a cantora Quando Amanhecer. A canção nasceu depois de algumas tardes na Bahia, na casa do músico.

- A Flora [Gil, mulher de Gilberto Gil], me chamou, com o Gil, para ir à casa deles passar uma tarde. E todo dia eu ia, eles estavam me convidando todos os dias, e eu ia amarrada. E ele começou a me mostrar rascunhos do disco dele, Fé na Festa. E aí me deu uma melodia, eu acabei fazendo a letra, que foi Lá Vem Ela, que está no disco dele. Essas brincadeiras foram me dando ideias de composição. Aí um dia surgiu essa melodia [de Quando Amanhecer]. Ele começou a fazer a harmonia e depois eu fiz a letra.

Com as ótimas Fiu Fiu e Bolsa de Grife, ela embarca no universo dos dilemas femininos.

- Eu sempre quis fazer uma música com fiu fiu. Acho uma coisa muito boa, mas, se for um cara que não te agrada, o fiu fiu é péssimo. É uma cantada sem palavra nenhuma, que quer dizer muitas coisa. Além de Bolsa de Grife. Falar desse desencontro da mulher e do homem. Eu quis brincar com isso.

Por meio de seu perfil no Twitter, diz que já sabe o que os fãs estão achando do novo trabalho.

- Virei tuiteira. Quando saíam os discos, eu demorava muito até saber da reação das pessoas. Agora eu lancei disco e fico 'E aí, alguém comprou?'. Vem aquele monte de resposta. Me dá um sabor diferente porque eu participo mais, estou um pouco onde a minha música chegou. É como se eu tivesse uma mosquinha na casa da pessoa.

via R7

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