Vinicius de Moraes, o poetinha

É beira do mar, é mesa de bar, é uísque na mão. Escrita a canção - de mulher, aliás - é Vinicius de Moraes.

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Vinicius de Moraes, © wikicoomons

O ano é de 1913, madrugada de 19 de outubro, forte temporal no bairro da gávea, Rio de Janeiro. Assim nasce o Poetinha, apelido do diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro Vinicius de Moraes.

Vinicius de Moraes foi um homem de muitas competências, de habilidades múltiplas, que transitou muito ao longo de sua vida. No entanto não esperem uma biografia, que inclusive já existe. Esse texto procura mostrar o Vinícius de Moraes artista, poeta, compositor, que, sem dúvida, foi o mais marcante.

Nas palavras de Carlos Drummond “Vinicius foi o único de nós que teve vida de poeta”. Vida de poeta, em outras palavras, seria uma vida apaixonada. Escrever paixão é uma coisa. Viver paixão, outra. Não que uma coisa diminua o prestígio da outra, mas na lacônica frase nota-se de forma suave o tom de admiração e apreço em se viver apaixonado, ato que Vinicius sabia desempenhar tão bem.

Aos 7 anos de idade, Vinicius tinha suas primeiras namoradas na escola Afrânio Peixoto; aos 11, cantava no coro da igreja nas missas de domingo e participava de festividades escolares, cantando ou atuando em peças infantis. Aos 14 anos, começa a compor e forma um pequeno conjunto musical atuando em festas na casa de famílias conhecidas. Este desenvolvimento artístico musical prematuro de Vinicius teve influência familiar. Sendo seu pai violinista e sua mãe pianista, ambos amadores, seu lar estava repleto de música, terra molhada para Vinicius fazer sua arte crescer. Aos 15 anos, namorava invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.

Início promissor, diria o velho filógino. De fato, era. Vinicius, em toda sua vida, casou-se nove vezes, e, considerando que manteve em pé de igualdade a paixão que possuía pelas mulheres e a que tinha pela arte, confirma-se que ambas souberam retribuir esse amor.

Com 20 anos, Vinicius publicou o primeiro de seus vários livros de poesia, que lhe agraciaram uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesa na Universidade de Oxford. Assim, através de seu cargo público e influência literária, Vinicius conheceu o mundo, fez diversos amigos tão talentosos quanto ele mesmo, expandiu-se.
O ápice da vida artística de Vinicius provavelmente se deu aos 41 anos, quando conheceu o jovem pianista Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Tom Jobim, rapaz de 29 anos que vivia da venda de músicas e arranjos nos “inferninhos” de Copacabana. Desta união surgiu simplesmente o primeiro pilar da bossa nova, a considerada canção marco deste movimento. “Chega de Saudade”, incluída no álbum “Canção do amor demais” da cantora Elizeth Cardoso, contava com a inovadora sonoridade do violão de João Gilberto e assim, estima-se, inspirou um estilo musical tão apreciado pela sua sensibilidade no Brasil e no mundo.


Das composições mais reconhecidas do Poetinha ao longo de sua carreira citam-se “Eu sei que vou te amar”, “Garota de Ipanema”, “A Felicidade”, “Chega de saudade”, “Insensatez”, entre tantas outras. Para os que desconhecem a obra de Vinicius, essas músicas provocarão aquele clássico esmiuçar de olhos para um relâmpago reconhecimento. É improvável que nenhuma de suas músicas tenha entrado em seus ouvidos e ali permanecido. Os que conhecem sua obra ficarão talvez ofendidos com minha simplória lista: eu sei que ela não é digna.
Na vida e na arte de Vinicius de Moraes cabem as palavras de Shakespeare: “Mostre-me um homem que não seja escravo de suas paixões”. Um homem simples de sensibilidade altamente acentuada para se envolver de paixão na beleza de uma mulher que passa, talentoso o suficiente para fazer desta paixão letra e música e, assim, apaixonar a todos com sua arte. Uma breve amostra:

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Desejo de uma vida apaixonada, meus amigos.

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Vinicius de Moraes, © wikicoomons

fonte Obvious

Posted by Paulo Studiow @ domingo, 7 de agosto de 2011 0 comments

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