Música ajuda a aliviar corpo e mente

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Com a correria do dia a dia e os compromissos lotando a agenda, explosões de raiva, insônia, enxaqueca e depressão se tornam cada vez mais frequentes. Uma alternativa para aliviar essas aflições é a música. O ritmo não importa, desde que a mente e o corpo estejam embalados em uma única sintonia. Nesse momento, os problemas somem e deixam espaço apenas para que as notas musicais se reúnam e cumpram o papel de relaxar, entreter e curar.
Para que a pessoa se envolva e sinta realmente os benefícios, o ideal é deixar a música tomar conta do ambiente. No trânsito, por exemplo, ao mesmo tempo em que uma música mais suave pode servir como uma forma de relaxamento, uma canção mais agitada pode alegrar o lugar. “O que é importante em um espaço de tanto estresse”, explicou o psicólogo Luciano Basso.
O ritmo do próprio corpo humano é uma das explicações da ciência para o efeito que a música causa nas pessoas. O pulso sanguíneo, os movimentos dos músculos, o andar e a respiração funcionam, de certa forma, como uma base para o tempo musical.
E não é de hoje que produtores e compositores musicais perceberam isso. Assim como as letras, as batidas também são pensadas para que despertem as emoções desejadas.
Ao escutar o ‘’tchan-tchan-tchan-tchaaaan’’, da Quinta Sinfonia de Beethoven, uma das mais conhecidas sequências musicais da história, você não fica com aquela tensão do que está por vir? Pois é, ao mesmo tempo em que a música é usada como uma forma de alterar os sentimentos, esses mesmos sons, ritmos e harmonias também são capazes de aprimorar as funções físicas, sociais, cognitivas e até mesmo neurológicas.
De acordo com Basso, a simples tarefa de memorizar as canções pode servir como um treino para a memória. ‘’Quando você decora e depois canta uma música, por exemplo, obrigatoriamente você exige que o seu cérebro preste atenção e se concentre na letra e no tempo da música. Isso é um ótimo exercício para qualquer idade’’, disse.
Concentração que também é exigida da musicista Karina Kimori, 23, para cantar e tocar violão e piano.  O que começou com um hobby, aos 13 anos, hoje é uma profissão. Ela conta que o interesse por essa arte foi despertado pelo pai, que sempre tocou violão.
Karina músicaKarina explica que as sensações que sente variam de acordo com o tipo de música que está tocando. ‘’Algumas vezes, sinto paz e tranquilidade. Outras, sinto uma tensão, mas uma tensão gostosa de sentir. Apenas uma sensação é igual todas as vezes: sempre que estou tocando sinto como se não existisse mais nada ao meu redor. Consigo me abstrair de tudo, do ambiente onde estou, dos problemas pelos quais estou passando, do trabalho, enfim de tudo. Quando estou tocando parece que existe apenas eu e meu piano e que um faz parte do outro como uma coisa só".
Hoje, Karina considera a música um item indispensável em sua vida. ‘’Não consigo me imaginar fazendo nada diferente. A música faz parte da minha natureza. Com certeza eu seria uma pessoa com uma personalidade totalmente diferente se não fosse por ela, porque atualmente tudo o que eu faço esta direta ou indiretamente ligado a música’’, afirmou a musicista de São Bernardo que, além das aulas de piano e canto, trabalha como professora de Educação Musical no projeto ‘’Tocando e Cantando...fazendo música com crianças’’, em Mogi das Cruzes.
Musicoterapia - Com mais de 60 anos de pesquisa, a técnica que usa a música como uma forma de tratamento ganhou status a partir da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Na ocasião, militares norte americanos a usaram como uma forma de aliviar os traumas e ajudar na reabilitação de pacientes feridos nos conflitos. Este método, conhecido como musicoterapia, é reconhecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Segundo a Federação Mundial de Musicoterapia, a técnica consiste na utilização da música e dos seus elementos musicais - som, ritmo, melodia e harmonia, pelo profissional e pelo paciente sozinho ou em grupo. O objetivo é desenvolver potenciais ou recuperar funções do indivíduo de forma que ele possa alcançar melhor integração intra e interpessoal e consequentemente uma melhor qualidade de vida, conforme consta no site da entidade e da UBAM (União Brasileira das Associações de Musicoterapia) (www.wfmt.info e www.musicoterapia.mus.br).
TecladoO especialista trabalha com um roteiro específico de músicas e sons de ambientes para cada paciente. “Os principais métodos utilizados em musicoterapia são: composição (compor com ou para o paciente), recriação (recriar sobre uma música já existente), improvisação e audição’’, explicou a musicoterapeuta Gisele Furusava, de São Bernardo, formada na área pela FPA (Faculdade Paulista de Artes).
Segundo Gisele, a musicoterapia só não deve ser aplicada aos indivíduos portadores de epilepsia musicogênica, onde crises epilépticas são causadas por estímulos musicais. Estima-se que uma em cada dez milhões de pessoas sofra do problema. Fora isso, são feitos testes no início do processo que determinam se o tratamento é ou não indicada ao individuo.
Um dos campos de atuação é no atendimento à gestante e, posteriormente ao nascimento, à mãe e ao bebê. Além disso, lembra que “as pesquisas apontam que a música pode diminuir a sensação de dor. Por isso alguns pacientes conseguem diminuir os analgésicos quando participam da terapia musical.’’ Três meses é o mínimo para que os benefícios das sessões possam ser sentidos. O serviço pode ser encontrado em academias ou em clínicas especializadas. A média de preço varia de R$ 70 a R$ 100, por pacote.

Ensino musical invade salas de aula

O estimulo à criatividade, à sensibilidade e à integração dos alunos são os principais fatores para que a música tenha um espaço obrigatório no currículo das escolas públicas e privadas do país.
Sancionada em 18 de agosto de 2008, a lei n 11.769 passou a vigorar para os alunos que estão no ensino fundamental e médio. De acordo com a exigência, não existe a necessidade de uma disciplina exclusiva. Ela pode fazer parte das atividades artísticas, por exemplo.  Ainda de acordo com a norma, não é necessário que o professor tenha formação específica na área.
Apesar de não especificar o conteúdo, o MEC (Ministério da Educação) orienta que o ensino vá além das noções básicas de música e apresente os ritmos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos para que, dessa forma, os alunos possam conhecer a diversidade cultural do país.
Para que os alunos sintam os efeitos positivos da matéria, a educadora musical Lilian de Abreu Sodré acredita que os profissionais devam ser capacitados para que a música cumpra o papel de unir as outras matérias. “Eu acho que é um complemento natural, faz parte da vida das crianças. Só que quando ela é de uma maneira dirigida, quando é orientada, ela traz uma riqueza muito maior do que ela pura e simplesmente sendo ouvida. Ela tem que ser vivida, sentida e orientada para poder trazer mais diferenças para as crianças. ‘’
Aos 12 anos, Matheus Ruan Manso dos Santos está na 6ª série e não desgruda do celular, onde colocou suas canções preferidas. É com ele que o estudante constrói, diariamente, uma trilha sonora exclusiva para tocar no percurso de casa até a escola. Apesar dessa proximidade com a música, ele não gosta da disciplina no colégio. “A professora seleciona e passa várias músicas para cantarmos. Eu acho que ela poderia abrir um espaço para que nós escolhêssemos o que queremos cantar também, assim a aula ficaria muito mais divertida e interessante’’, disse.
Envolver os alunos de uma forma dinâmica e didática é o desafio para as instituições de ensino. É dessa forma que a escola estadual Rudge Ramos, em São Bernardo, desenvolve projetos que tornam a obrigatoriedade um momento prazeroso.  “Ela é como se fosse uma oficina, enquanto eles cantam também aprendem de uma forma bem lúdica. Eles gostam demais das aulas, temos um retorno bem legal dos alunos. A música, juntamente com atividades esportivas são as prediletas’’, disse a coordenadora pedagógica Salete Miquilim.
Estudantes e música
Para ela, uma das vantagens da obrigatoriedade do ensino é o incentivo para que os alunos possam ter, inclusive, interesse em tocar um instrumento. “Aqui, os alunos podem trazer guitarra, violão e isso faz com os outros se sintam estimulados. Já tivemos estudantes que terminaram o ensino médio e montaram uma banda de rock. Por isso, acredito que essas iniciativas deveriam ter um apoio maior, não só dos pais como da escola também. Dessa forma, nós vamos resgatando as habilidades que cada um possui.’’
Na opinião da psicóloga Liliane Ferreira, além de aprender um novo instrumento, essa prática também promove a interação social. “Essa relação é importante para que as crianças e os adolescentes mantenham a estabilidade racional e emocional. É excelente, tanto do ponto de vista interno, como externo.”
O estimulo à fantasia também é apontado como um dos benefícios: “Ela pode levar para diferentes universos, onde a pessoa pode explorar coisas novas. E, paralelamente, trabalha com a questão do ritmo, que é bom, inclusive para o raciocínio matemático, por se tratar de uma construção sequencial de tempo que a música oferece."
Benefícios da música
*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

Posted by Paulo Studiow @ terça-feira, 29 de novembro de 2011 0 comments

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