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Adormecido desde 2005, o Barão Vermelho volta aos palcos para celebrar o aniversário de 30 anos do primeiro disco da banda, lançado em 1982. No projeto inicial, planejado pelos músicos Roberto Frejat, Guto Goffi, Fernando Magalhães, Rodrigo Santos e Peninha, com a participação do Mauricio Barros – da formação original –, seriam 30 shows gratuitos pelo Brasil. Nenhuma empresa abraçou financeiramente a causa, e eles resolveram bancar a festa. Para isso, reduziram o tempo da turnê "+ 1 Dose". A estreia será no Rio, no dia 20 de outubro, na Fundição Progresso, depois segue pelas principais capitais do país até março de 2013.

Em entrevista , Roberto Frejat, guitarrista da banda e voz do Barão desde a saída de Cazuza, em 1985, comenta a seleção do repertório comemorativo, que deve contemplar os 15 discos do grupo, com um set list de 23 músicas e um punhado de hits. “Esse show é tipo Carnaval, é bunda-lê-lê total, vamos pra festa e ninguém é de ninguém", brincou.

Além das apresentações, a banda lança o disco de 1982 remasterizado, e com uma faixa inédita. (Escute trecho da canção, divulgada na reportagem do Fantásico.) A música “Sorte e azar” foi encontrada com a voz de Cazuza em fitas dos arquivos da Som Livre. “Sempre soubemos que ela estava lá [a fita com a gravação original], mas não sabíamos qual o grau de finalização que ela tinha. Se o Cazuza tinha cantado até metade, se o ‘take’ estava bom ou não. E estava ótimo, só achamos que a sonoridade era a do grupo de 30 anos atrás. E essa música podia ter um potencial muito maior. Com uma voz dele muito bem cantada, uma letra linda, se fizéssemos um arranjo novo, com toda a vivência que nós temos, a gente pode levar essa música além. E acho que ela foi muito além do que era", defende Frejat. Confira a entrevista:

Como surgiu a ideia da turnê comemorativa?
Frejat – Na verdade, há dois anos nós tentamos nos planejar pra essa turnê comemorativa dos 30 anos do nosso primeiro disco. Preparamos todo o projeto, que inclusive foi aprovado pela Lei Rouanet. A ideia era fazer 30 shows, todos gratuitos. Mas não conseguimos apoio de nenhuma empresa brasileira, e acabamos demorando um pouco pra decidir fazer essa comemoração, e optamos por comemorar com nossas próprias pernas. Então estamos fazendo uma turnê mais curta, que começa agora, no dia 20, e vai até 31 de março de 2013, e deve cobrir as principais capitais do Brasil.

Quando vocês encontraram o áudio da música 'Sorte e azar'?
Frejat –  O disco está sendo relançado, remixado e remasterizado agora com uma faixa nova. Uma canção que tinha ficado inédita nesse primeiro disco, com uma voz do Cazuza que a própria formação original que gravou aquele disco, se encontrou e fez um arranjo novo para aquela voz. Remixar é tratar faixa por faixa. Não estamos mexendo na performance, mas na qualidade sonora do disco. E como temos cada canal independente, simplesmente descobrimos essa música. Não sabíamos se ela tinha ficado completa, se o Cazuza tinha gravado ela, se ele tinha cantado do começo ao fim. E ela estava lá e muito bem cantada. Resolvemos fazer um arranjo novo, numa sonoridade mais contemporânea, mas com a voz dele da época. E ficou linda. Modéstia à parte, ficou linda.


Como foi essa descoberta?
Frejat – A Som Livre não achou nada, quem achou foi a gente. Sempre soubemos que ela estava lá [nos arquivos], mas não sabíamos qual o grau de finalização que ela tinha. Se ele tinha cantado até metade, se o ‘take’ estava bom ou não. E estava ótimo, só achamos que a sonoridade era a do grupo de 30 anos atrás. E essa música podia ter um potencial muito maior. Com uma voz dele muito bem cantada, uma letra linda, se fizéssemos um arranjo novo, com toda a vivência que nos temos, os quatro, a gente pode levar essa música além. E acho que ela foi muito além do que era. Foi no momento de copiar, digitalizar as fitas. A Som Livre nos deu acesso a essas fitas. E ali descobrimos. Foi no meio do ano passado, todos ouvimos os papos de estúdio, foi um momento muito emocionante para nós.

O Barão está há cinco anos distante dos palcos. Como está sendo o reencontro para os ensaios? É mais difícil agora do que já foi?
Frejat – Estamos ensaiando. Nada, a gente adora tocar junto, é uma delícia. Lógico que tem todo um processo de recondicionamento motor para as coisas. Lembrar as letras, como são as músicas. Mas o barato de tocar junto, e do entendimento, é muito fácil. Tocamos juntos durante muito tempo, é muito gostoso isso.

Pretendem fazer alguma homenagem especial para o Cazuza nos shows?
Frejat – Isso acontece naturalmente. O nosso repertório tem vários momentos de homenagear ele, a gente teve isso no decorrer dos anos. Qualquer pessoa que foi assistir ao show do Barão nesses últimos anos, em nenhum momento nos viu tentando esconder a presença do Cazuza na nossa história. Ele sempre esteve presente e vai continuar, a gente fez muita coisa bonita junto, que é importante para a história do grupo. E é uma coisa natural pra banda, a gente não precisa forçar nada, nem se preocupar com isso. No show anterior eu cantava uma música em dueto com ele, mas nesse show não teremos isso porque seria redundante.

Como será o repertório da turnê?
Frejat – O disco é privilegiado, mas o repertório atende a todos os discos. Tem músicas de todos os nossos 15 discos. Repertório muito forte de sucesso, e ao mesmo tempo, músicas que o público de show sempre gostou. São 23 músicas, mas os shows nunca serão iguais porque temos uma quantidade muito grande de músicas. A gente começou a fazer uma seleção e parou em 46. Daria para fazer dois shows de 23, mas teria que assistir duas vezes o nosso show. Cada pessoa veria uma apresentação diferente. Aí não daria. Então tentamos ser sintéticos. Lógico que com 30 anos não dá para ser muito sintético, mas tocaremos músicas de todos os discos, paramos em 23 músicas, fora o bis, e nessas se revezam umas 37 canções. Dificilmente faremos um show igual ao outro.

Existe uma cobrança dos fãs para esse retorno?
Frejat – Acontece naturalmente. Pra gente é um elogio, um motivo de orgulho, mas a vida anda pra frente, a gente não pode ficar dependendo só da expectativa do público. No caso de uma trajetória artística, você tem que se pautar muito pelas tuas necessidades de expressão.

É possível afirmar que Barão nunca vai acabar, será sempre um projeto paralelo de todos vocês?
Frejat – Eu não sei dizer, não gosto nem de pensar nessa questão do futuro. É uma banda que tem essa possibilidade da gente celebrar nossa história durante bastante tempo. Na minha opinião, nós temos uma obra muito bonita, que o público gosta, e sempre que a gente sentir uma demanda para um motivo de celebração isso pode vir a acontecer. Mas o Barão não é uma prioridade na vida de nenhum de nós. Ele passa a ser a partir do momento em que a gente se reúne. Aproveitem enquanto podem!

O show da sua turnê 'A tal da felicidade', você define como um 'festeiro', quase uma 'sessão de analise'. E esse do Barão, como você classifica?
Frejat – É a bagunça total, a grande festa. É um repertório que só tem hit do começo ao fim, e ele remete a muitas décadas. O Barão é uma banda que atravessou várias gerações, é muito curioso. É diferente porque é um show muito mais rock do que o meu. Eu me considero um artista pop. Tem uma influência forte do rock no meu trabalho, mas ele tem uma abordagem mais pop. E esse é um show de rock and roll.

Sente saudade, precisa beber dessa fonte?
Frejat – Precisar eu não preciso porque já tenho isso na minha essência. Mas não é nenhum esforço, nenhuma tortura, não. Esse show é tipo Carnaval, é bunda-lê-lê total, vamos pra festa e ninguém é de ninguém.

Quem são os fãs do Barão hoje? A geração mais jovem talvez tenha o filme 'Cazuza' como uma das principais referências do que foi o Barão.
Frejat – Mais ou menos. Muita gente conhece o Barão sem o Cazuza. Muita gente não tem a referência da Banda com o Cazuza. Mas eu acho que temos três ou quatro gerações seguidas. Estamos falando [entre os músicos] que os netos vão levar os avós nesse show. Antigamente os pais levavam os filhos, agora os netos vão levar os avós.

O filme retrata uma pessoa, e não exatamente a banda e o rock da época. É confortável pra você a imagem que ficou para essa geração? E a sua imagem propriamente dita?
Frejat – Não, a minha imagem no filme eu não gosto definitivamente. Eu acho que ele retrata muito a figura pessoal do Cazuza e não o artista. Nesse sentido o lado artístico dele foi muito pouco privilegiado no filme. Eles usaram um artificio de roteiro meio previsível e padrão, de que tem que ter um protagonista e um antagonista. E como ele era o protagonista, eu virei o antagonista. E a nossa relação não era assim. Então fica a desejar. Eu acho que Cazuza merece um documentário como o do Vinicius [de Moraes, dirigido por Miguel Faria Júnior, lançado em 2005].

  Você tem vontade de encabeçar esse documentário, um projeto desse tipo?
Frejat – Eu não, não sou cineasta. Mas se tiver [alguém disposto] eu acho que ele merece muito.

Não é algo que você tenha vontade de mostrar o lado correto, defender sua versão, apenas incomodou?
Frejat – A vida tem coisas bem mais sérias do que ficar preocupado com o filme.

Você é recordista de participações no Rock in Rio. O Barão está escalado pro evento em 2013?
Frejat – Não porque eu provavelmente vou estar fazendo isso no ano que vem.

Em recente entrevista, o Nasi, ex-vocalista do Ira!, disse que não existem mais bandas de rock boas no Brasil. E que faltam poetas como o Cazuza. Como você avalia o cenário do rock nacional?
Frejat – Eu jamais sentencio uma geração. Toda geração tem sua música, e seus símbolos. Eu acho só que o rock hoje passou a ter um sentido muito confuso de deturpado para o público, por isso que é difícil perceber numa banda de rock o mesmo espirito de antigamente, mas a culpa não é do artista, é dos tempos. O sistema conseguiu, de uma certa maneira, ser muito rápido no sentido de assimilar qualquer manifestação de inquietação e agressão. Ele rapidamente consegue absorver isso e transformar na própria arte. E o rock and roll foi durante muito tempo esse símbolo do conflito, da inquietação, do não conformismo. Isso hoje você já não consegue representar tão facilmente. Pode até existir dentro do rock, mas rapidamente vai ser assimilado, ou confundido, deturpado pelo sistema. Ele perdeu muito desse sentido. Mas tem muita gente que continua fazendo música muito boa, eu adoro. A Pitty eu acho uma grande roqueira, como acho o pessoal do Cachorro Grande também. Hoje, mesmo no rock internacional, os nomes de grandes sucessos, a maioria particularmente não me agrada. Eu estou mais próximo do rock alternativo. Gosto do Wilco [banda de rock alternativo de Chicago] e do Jack White eu gosto de tudo que ele faz.

Desde que entrou no ar, “Glee” se dedicou a jogar luz sobre os “perdedores”, os rejeitados que passaram a vida escolar sendo enfiados em latas de lixo. Matheus Fernandes sabe bem o que é isso. O brasileiro de 20 anos, residente nos EUA há oito, sofreu bullying tanto aqui quanto lá devido à sua estatura, de apenas 1,45m de altura.
Mas isso nunca o fez se esconder, pelo contrário: venceu mais de 40 mil concorrentes e se tornou um dos 12 concorrentes do reality show “The Glee project”, cujo objetivo é revelar um novo ator (vilão, no caso) para a 3ª temporada do programa musical.
Matheus foi longe e chegou à metade do programa, exibido no Brasil pelo Canal Fox aos domingos (a final vai ao ar às 21h de 4 de setembro). Em entrevista por e-mail ao G1, ele contou sobre sua experiência no reality, o desejo de atuar no Brasil e o seu passado musical, que vai de Ed Motta a Sandy & Jr.

G1 - Como você avalia sua participação? Estava confiante em ganhar?
Matheus Fernandes - Em grande parte do tempo eu me sentia muito bem. É claro que havia muitas barreiras, mas, deixado isso de lado, sinto que mandei bem no show. Jamais treinei canto, dança ou atuação, então dei o meu máximo assim que fui jogado lá. Guardei alguns truques para o momento certo, mas não tive a oportunidade de mostrá-los. Talvez em outra oportunidade.
G1- E a experiência de estar perto dos atores de “Glee”, como foi?
MF - Foi surreal! Tudo parecia um sonho, sabe? Sentia que preenchia uma parte da minha vida e depois a compartilhava. Conhecer parte do elenco foi super incrível! Ficar pessoalmente com algum deles foram alguns dos melhores momentos que já tive.

G1 - Como pretender levar a sua carreira artística? Já recebeu alguma oferta?
MF - Quero continuar minha carreira aqui em Los Angeles e espero que as oportunidades certas apareçam. Continuo lutando pelos meus sonhos. Muitas pessoas viraram para mim e disseram que jamais teria a oportunidade que tive se não fosse por eu ser tão diferente. Quero provar as pessoas que pensamentos assim não importam.Não devemos achar que nosso aspecto físico fica abaixo de nossos sonhos.

G1 - Você quer ser ator?
MF - Eu gosto muito, cantar é o meu forte, mas atuar é muito divertido. Claro, vou considerar se algo pintar aí no Brasil. Sinto muita falta daí, da comida brasileira... (risos)

 G1- Você sofria bullying? Como foi a relação do público com você ao longo do programa?
 MF- Eu sofria muito bullying, ele me preparou para a vida de certa maneira. O campo do entretenimento é cheio de pessoas que o criticam pela sua aparência, então fico feliz que passei por tudo isso. Foi algo que me tornou mais forte como ser humano.

G1 - Você costuma ouvir música brasileira? O que escutava quando morava aqui?
MF- Escutava bastante, mas perdi um pouco as minhas raízes quando me mudei. Amo vários artistas daí, como Ed Motta, Ivete Sangalo e Caetano Veloso. Mas quando era criança eu escutava bastante Sandy & Jr. (risos)

G1- É verdade que você já fez testes para o "American idol?" Toparia participar de outro reality show musical?
MF- Eu fiz o teste antes e adoraria fazer para outros programas no futuro. Às vezes é fácil se sentir triste e desencorajado, mas acredito que se eu colocar meus pensamentos no lugar certo e trabalhar duro, vou chegar ao lugar que quero para a minha vida.

G1 - Por que "Glee" se tornou esse fenômeno pop, quem inclui uma série, uma turnê, um filme em 3D e o reality show?
MF- Muitas pessoas ao redor do mundo podem se identificar com “Glee”, pois ele abraça os atributos únicos de qualquer um e joga luz sobre eles de uma maneira positiva. Adicionando a linguagem universal da música isso fica ainda mais épico. O show dá esperança e inspira.

A cantora, que emplacou diversos sucessos na década de 1970 e protagonizou a primeira versão do musical Evita no Brasil, volta a gravar depois de 13 anos


A VOLTA “Sabia que algo de bom estava para acontecer", diz Claudya
“Deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida. Preciso demais desabafar.” Quando a voz da cantora Claudya apareceu, em 2009, em um sampler que o músico Marcelo D2 fez para a canção "Desabafo" muita gente se perguntou de quem era aquela voz. A cantora estava afastada – não por vontade própria – há 13 anos dos estúdios. A canção sampleada era "Deixa eu dizer", de Ronaldo Monteiro e Ivan Lins, lançada em 1973. Os versos dizem muito da necessidade que Claudya tem de cantar e de falar.

O “desabafo musical” acontece no álbum Senhor do tempo – canções raras de Caetano Veloso, que a cantora acaba de lançar. Produzido por Thiago Marques Luiz para a gravadora Jóia Moderna, do DJ Zé Pedro, o trabalho tem composições menos conhecidas do artista baiano, como "Maria Maria", "Louco por você", "Luzes" e "As várias pontas de uma estrela". Entre as mais conhecidas, estão "Naquela estação" – sucesso na voz de Adriana Calcanhoto – e "Menino Deus", gravada nos anos 1980 pelo grupo A cor do som.

O “desabafo verbal", pode-se dizer, acontece nesta entrevista a ÉPOCA. A carioca Claudya começou sua carreira na metade dos anos 1960. Após vencer um festival, foi chamada pelo produtor Ronaldo Bôscoli para fazer um show chamado “Quem tem medo de Elis Regina”. A ‘homenageada’ não gostou nada da história e interpelou Claudya em um programa de TV. Foi o suficiente para amigos e produtores virarem as costas para ela. Deu a volta por cima no começo dos anos 1970, quando emplacou sucessos como "Com mais de trinta", "Como 2 e 2", "Esse cara" e "Jesus Cristo".

Nos anos 1980, protagonizou a primeira versão do musical Evita no Brasil no papel de Evita Perón. Gravou até 1998. Mudou o nome artístico de Claudia para Claudya. Mais tarde para Claudya de Oliveira. Depois, o hiato de 13 anos só terminado agora. Confiante, ela acredita que essa é a sua segunda volta por cima. “Sabia que algo de bom estava para acontecer”, diz a cantora.

Na entrevista, Claudya fala do período em que ficou afastada dos discos. “Sobrevivi do meu talento, fazendo shows”, diz. Ela também conta a sua versão de um fato que a persegue até hoje: a suposta rivalidade com Elis. “Muitos fãs da Elis ainda me odeiam por conta dessa história. Muitos nem se deram conta que eu não fiz o tal show”, afirma. “Isso precisa ser esclarecido”, diz. 
ÉPOCA – Você e a Elis sempre foram apontadas como rivais. Até que ponto isso era verdade? 
Claudya –
 Eu nunca vi a Elis como rival. Vi-a como uma ótima cantora. O que aconteceu foi que o Ronaldo Bôscoli (produtor musical), na década de 60, me chamou para fazer um show chamado “Quem tem medo de Elis Regina”. Fui conversar com ele e disse que não podia fazer esse show. Eu queria fazer um show para divulgar o disco que eu estava lançando. Acho que ele tinha alguma mágoa com a Elis. Nunca entendi qual era o objetivo dele. Mas o fato foi que a Elis ficou sabendo e me convidou para participar do Fino da Bossa, programa que ela apresentava na Record. Ela me questionou no palco. Eu respondi que não tinha medo dela, só admiração, e que havia recusado o convite do Bôscoli. Mesmo assim, eu fui vaiada durante cinco minutos pelo público que estava no Teatro Record. Tive que esperar as vaias pararem para poder cantar. No dia seguinte, a imprensa toda acabou comigo. Nem fizeram questão de esclarecer que o show havia mudado de nome, passou a se chamar “Claudya não se aprende na escola”, título tirado de uma das músicas que estava no disco. Passei por maus pedaços. Foi muito feio o que fizerem comigo. Eu paguei uma pena muito grande dentro da música brasileira. Até hoje não me sinto inserida nela. 
ÉPOCA – Mas você acha que a Elis a convidou para o programa apenas para tirar satisfação? Claudya –Não sei o que passou na cabeça dela. O Fino da Bossa era um dos programas mais assistidos do Brasil e o que aconteceu me prejudicou muito. Eu era uma menina, tinha apenas 17 anos. Estava começando minha carreira. Era arrimo de família e precisava dar assistência a minha família. Eu passei fome. Nunca falei isso antes, mas não vejo mais motivos para esconder. Lembro minha mãe indo à TV Record pedir para o Marcos Lázaro, meu empresário na época, esclarecer tudo, mas ele não fez nada para me ajudar. Até hoje os fãs de Elis têm raiva de mim. 
ÉPOCA - O livro Furacão Elis, escrito por Regina Echeverria, lançado em 1985, descreve um briga entre você e a Elis. A autora diz que você teria empurrado a Elis em pleno palco... 
Claudya – 
Isso é mentira! Essa senhora nunca me procurou, nunca conversou comigo para perguntar se isso realmente aconteceu. Eu poderia processá-la... 
ÉPOCA – Mas você deu a volta por cima nos anos 1970... 
Claudya –
 Comecei a participar de festivais internacionais. Fui convidada para ir ao Japão. Voltei, fiz um show no Rio, mas ninguém foi. Um fracasso total. Até que um dia, um compositor chamado Alésio Barros me procurou para que eu cantasse uma música dele com o Eduardo Lages (hoje, maestro do Roberto Carlos). A canção chamava-se “Razão de paz para não cantar”. Ganhei o prêmio de melhor intérprete no Festival Internacional da Canção. Depois, participei de vários festivais pelo mundo. Foi assim que minha carreira voltou a acontecer. 
ÉPOCA – Por que decidiu dedicar seu novo trabalho às canções menos conhecidas de Caetano Veloso? 
Claudya –
 Há uns dois anos, o produtor Thiago Marques me procurou com esse projeto. Ele escolheu Caetano porque, nos anos 70, eu havia feito muito sucesso com duas canções dele, "Esse Cara" e "Como 2 e 2". As duas tocaram muito. Nesse tempo, eu tocava bastante nas rádios. O CD acabou saindo agora, pela gravadora do Zé Pedro. 
ÉPOCA – O CD tem uma cara bem jazzística. Foi uma escolha sua? 
Claudya 
– Sim. O disco é bem intimista. Eu acho que o jazz é uma música universal. O disco não vai envelhecer nunca. Aliás, ele já nasceu novo, sofisticado. O repertório foi escolhido pelo Thiago e pelo Zé Pedro. Muitas das músicas eu não conhecia. Tive que trabalhar nelas. Eu toco piano, fiz algumas concepções de arranjos, como em "As várias pontas de uma estrela", "Senhor do tempo", "Duas manhãs" e "Menino Deus". 
ÉPOCA – Você conversou com o Caetano sobre o CD? 
Claudya –
 Sim. Pedi a ele a autorização para gravar as músicas. Ele me recebeu muito bem. Eu perguntei: “Você permite que eu cante suas músicas?” Ele respondeu: “Nossa senhora! Vai ficar muito bom”. Foi o sinal verde. Há muito tempo que eu não falava com ele. Nós trabalhamos juntos na década de 60 em um programa da TV Excelsior chamadoEnsaio geral, que era dirigido pelo compositor Sidney Miller. Lá estavam todos eles, Caetano, Gal, Gil. Cantávamos juntos.
ÉPOCA – Antes de lançar esse novo CD, você ficou 13 anos sem gravar. O que aconteceu? 
Claudya –
 Olha, nem eu sei explicar. Na década de 90, a música brasileira tomou outro rumo. A verdadeira música brasileira ficou renegada. Nós, os grandes artistas, ficamos em segundo plano, esquecidos. Fomos excluídos do sistema, da indústria. Na verdade, gravei um disco em 2002, mas ele só foi lançado na Finlândia, Itália e Portugal. É um disco chamado A lua luará, com músicas do compositor finlandês Heiki Sarmanto e letras do mineiro Fernando Brant. Infelizmente não foi lançado por aqui. 
ÉPOCA – Como você encarou essa fase longe dos palcos? 
Claudya –
 Sobrevivi do meu talento. Fui fazendo shows, com músicas que gravei ao longo da carreira, meus grandes sucessos, cantando bossa nova. Foi um período muito difícil. Pensei até em desistir da carreira, abrir um negócio, uma loja. 
ÉPOCA – Você voltou também por causa do Marcelo D2... 
Claudya
 – Realmente. A nova geração não me conhecia e passou a saber quem eu era através dele. Foi um sucesso extraordinário. Até eu fiquei surpresa. Isso prova que música boa não tem tempo. Eu a gravei em 1973 e ela continua atual. Foi curioso que o sampler que o Marcelo D2 fez trazia um ritmo mais acelerado e minha voz mais aguda. Depois, gravamos juntos no DVD Samba Social Clube, no tom certo. 
ÉPOCA – Você protagonizou a primeira versão brasileira do musical Evita, na década de 1980. Assistiu à nova montagem (protagonizada por Daniel Boaventura e Paula Capovilla)? O que achou? 
Claudya
 – Assisti. Achei puramente técnico. Falta emoção. É bem diferente da montagem da qual participei. Para você ter um ideia, em uma de nossas apresentações no Rio de Janeiro, um senhor passou mal do coração na plateia. Era emocionante, forte, dramática. Eu estudei muito sobre a vida da Evita. Quem me ajudou bastante foi o diretor Mauricio Sherman. Eu estava com medo, ele me passou segurança. Disse que preferia uma cantora que pudesse ser atriz a uma atriz que não soubesse cantar. A fragilidade, a raiva, tudo tinha que ser jogado na voz.

1 - Maria Maria
2- Naquela estação
3- Senhor do tempo
4-Louco por você
5- Amo-te (mesmo?) muito
6- As várias pontas de uma estrela
7- O samba em paz
8- Pele
9 - Luzes
10 - José
11- Menino Deus
12- Duas manhãs
fonte Revista Epoca

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