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Vinicius de Moraes em foto de 1964: poeta consagrado ganhou graças populares pela música
No bar de Ipanema que sempre frequentou, em um mundo tão eterno quanto suas canções, Vinícius de Moraes celebraria seus 100 anos neste sábado, 19, com um uísque em uma mão, um cigarro na outra, rodeado de amigos e de lindas mulheres.

O violão ficaria em casa. As visitas ao bar Veloso, que passou mais tarde a se chamar Garota de Ipanema (em homenagem à lendária canção da bossa nova), raramente eram para trabalhar. "Ele nunca trazia o violão, vinha para aproveitar", lembra Manuel Inácio Alves, dono do Garota de Ipanema há 37 anos e que lhe serviu uísque muitas vezes. "Ele adorava", contou à AFP.

A vida de Marcos Vinicius da Cruz e Melo Moraes, o "poetinha", como ele gostava de ser chamado, começou em 18 de outubro de 1913. Ele morreu em 9 de julho de 1980, em sua casa, no bairro da Gávea, perto do Jardim Botânico, onde nasceu, há 66 anos.

O Brasil renderá no sábado inúmeras homenagens a este poeta, diplomata e escritor de canções imortais, como "Garota de Ipanema", "Chega de Saudade", "Se todos fossem iguais a você", "Eu sei que vou te amar", músicas essencialmente cariocas, mas que muitos no mundo devem, pelo menos, cantarolar.

Shows e documentários serão apresentados esta semana no Rio de Janeiro e edições especiais de sua obra poética e musical serão vendidas.

O escritor Carlos Drummond de Andrade certa vez disse que Vinicius, "o único poeta que viveu como poeta", levou sua poesia "até as camadas populares", algo "extraordinário". Ainda assim, ele foi alvo de críticas por sua incursão na música, na década de 1960, porque teria deixado para trás, de certa forma, a sua faceta poética.

"Eu sou um labirinto em busca de uma porta de saída", afirmou Vinícius em uma entrevista à TV Globo, em 1977.

É beira do mar, é mesa de bar, é uísque na mão. Escrita a canção - de mulher, aliás - é Vinicius de Moraes.

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Vinicius de Moraes, © wikicoomons

O ano é de 1913, madrugada de 19 de outubro, forte temporal no bairro da gávea, Rio de Janeiro. Assim nasce o Poetinha, apelido do diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro Vinicius de Moraes.

Vinicius de Moraes foi um homem de muitas competências, de habilidades múltiplas, que transitou muito ao longo de sua vida. No entanto não esperem uma biografia, que inclusive já existe. Esse texto procura mostrar o Vinícius de Moraes artista, poeta, compositor, que, sem dúvida, foi o mais marcante.

Nas palavras de Carlos Drummond “Vinicius foi o único de nós que teve vida de poeta”. Vida de poeta, em outras palavras, seria uma vida apaixonada. Escrever paixão é uma coisa. Viver paixão, outra. Não que uma coisa diminua o prestígio da outra, mas na lacônica frase nota-se de forma suave o tom de admiração e apreço em se viver apaixonado, ato que Vinicius sabia desempenhar tão bem.

Aos 7 anos de idade, Vinicius tinha suas primeiras namoradas na escola Afrânio Peixoto; aos 11, cantava no coro da igreja nas missas de domingo e participava de festividades escolares, cantando ou atuando em peças infantis. Aos 14 anos, começa a compor e forma um pequeno conjunto musical atuando em festas na casa de famílias conhecidas. Este desenvolvimento artístico musical prematuro de Vinicius teve influência familiar. Sendo seu pai violinista e sua mãe pianista, ambos amadores, seu lar estava repleto de música, terra molhada para Vinicius fazer sua arte crescer. Aos 15 anos, namorava invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.

Início promissor, diria o velho filógino. De fato, era. Vinicius, em toda sua vida, casou-se nove vezes, e, considerando que manteve em pé de igualdade a paixão que possuía pelas mulheres e a que tinha pela arte, confirma-se que ambas souberam retribuir esse amor.

Com 20 anos, Vinicius publicou o primeiro de seus vários livros de poesia, que lhe agraciaram uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesa na Universidade de Oxford. Assim, através de seu cargo público e influência literária, Vinicius conheceu o mundo, fez diversos amigos tão talentosos quanto ele mesmo, expandiu-se.
O ápice da vida artística de Vinicius provavelmente se deu aos 41 anos, quando conheceu o jovem pianista Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Tom Jobim, rapaz de 29 anos que vivia da venda de músicas e arranjos nos “inferninhos” de Copacabana. Desta união surgiu simplesmente o primeiro pilar da bossa nova, a considerada canção marco deste movimento. “Chega de Saudade”, incluída no álbum “Canção do amor demais” da cantora Elizeth Cardoso, contava com a inovadora sonoridade do violão de João Gilberto e assim, estima-se, inspirou um estilo musical tão apreciado pela sua sensibilidade no Brasil e no mundo.


Das composições mais reconhecidas do Poetinha ao longo de sua carreira citam-se “Eu sei que vou te amar”, “Garota de Ipanema”, “A Felicidade”, “Chega de saudade”, “Insensatez”, entre tantas outras. Para os que desconhecem a obra de Vinicius, essas músicas provocarão aquele clássico esmiuçar de olhos para um relâmpago reconhecimento. É improvável que nenhuma de suas músicas tenha entrado em seus ouvidos e ali permanecido. Os que conhecem sua obra ficarão talvez ofendidos com minha simplória lista: eu sei que ela não é digna.
Na vida e na arte de Vinicius de Moraes cabem as palavras de Shakespeare: “Mostre-me um homem que não seja escravo de suas paixões”. Um homem simples de sensibilidade altamente acentuada para se envolver de paixão na beleza de uma mulher que passa, talentoso o suficiente para fazer desta paixão letra e música e, assim, apaixonar a todos com sua arte. Uma breve amostra:

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Desejo de uma vida apaixonada, meus amigos.

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Vinicius de Moraes, © wikicoomons

fonte Obvious

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