"Sou metido a besta travestido de intelectual", conta Paulinho Moska

O cantor e compositor mostrou músicas de seu recém-lançado álbum Muito Pouco. Foto: Roberto Filho/AgNews

O cantor se apresenta neste domingo (27) no Auditório do Ibirapuera
Foto: Roberto Filho/AgNews

O músico e ator Paulinho Moska se apresenta neste domingo (27) no Auditório do Ibirapuera em São Paulo e em entrevista ao Terra por e-mail, ele contou do seu último trabalho, da paixão que tem pela cultura latina e de como estudar filosofia foi "se abrir para a vida". "Sou um artista metido a besta travestido de intelectual", afirmou. O show Muito Pouco é baseado nos dois discos lançados pela gravadora Biscoito Fino no ano passado: Muito tem um ritmo mais acelerado e Pouco ficou com a seleção de músicas mais contidas, gravadas sem bateria.

O último trabalho disco de estúdio de Moska, que começou a carreira na banda de rock-escrachado Inimigos do Rei nos anos 1980, foi em 2004. Ele voltou cheio de participações especiais e parcerias em Muito Pouco, como os argentinos do Bajofondo e Pedro Aznar, Chico César, Maria Gadú, e o americano-argentino Kevin Johansen, nascido no Alaska, que mora em Buenos Aires. Veja a seguir a entrevista.

O que a filosofia movimenta em você na hora de compor letras e músicas?
A filosofia aplicada é o próprio movimento de compor, no sentido de que quando criamos, estamos produzindo algo de acordo com o nosso olhar, nosso filtro, nossa filosofia. Eu não me dou conta de que a filosofia está lá. Simplesmente é.

Qual é a sua relação com a cultura dos outros países latino-americanos?
Uma relação de amizade. Quando conheci Jorge Drexler, em 2003, ele me convidou para cantar em alguns concertos dele no Uruguai, na Argentina e no Chile. Além de aprender um pouco da língua espanhola, consegui também formar um público nesses países. Nos últimos cinco anos tenho ido frequentemente tocar com minha banda por lá. São teatros de mil lugares, sempre cheios. Assim vou também conhecendo artistas maravilhosos que nunca chegam por aqui. Infelizmente o Brasil ainda tem muito preconceito com a língua espanhola e não desfruta de "nuestros hermanos".

Como você escolhe seus parceiros na música? Com quem ainda não trabalhou, mas gostaria?
Tenho poucos parceiros. Escolho mesmo pela amizade e admiração...não consigo compor com quem eu não tenho intimidade. Parceria é uma espécie de sexo, não tem volta. Dificilmente eu proponho uma parceria. Ou ela acontece ou é o outro que solicita. Eu gostaria de ser mais promíscuo, mas me tornei uma pessoa mais reclusa. Nas rodas de violão fico tímido, não gosto de tocar, prefiro ouvir os outros. Mas adoro um encontro verdadeiro, natural. Aquele em que a poesia brota e a música encanta. Evidentemente, adoraria ter esse encontro com Caetano Veloso, Chico Buarque, Paulinho da Viola e tantos outros. Quem não queria, né?

Como foi a aproximação e a parceria com Kevin Johanssen?
Jorge Drexler me apresentou a Kevin Johansen nos camarins do Teatro Gran Rex, em Buenos Aires. Nós dois éramos os convidados no show do Drexler. Kevin se mostrou conhecedor de muitas canções brasileiras e suas músicas imediatamente se tornaram uma trilha sonora dos meus dias subsequentes. Seu disco City Zenquase furou no meu aparelho. Depois de alguns e-mails começamos a fazer participações nos shows um do outro. Já cantamos muitas vezes juntos, a última na Venezuela, em novembro do ano passado. E temos uma parceria: Waiting for the Sun to Shine, que eu gravei agora no Muito Pouco. Ele tinha o refrão e alguns acordes. Eu completei com uma "parte B" e fizemos a letra juntos.

Gosta mais do Muito ou do Pouco? Sua relação com eles mudou depois do lançamento?
São como irmão gêmeos bivitelinos. Para mim eles funcionam juntos, se equilibram. Não consigo gostar mais de um ou de outro. O Pouco é um disco mais fácil de se tornar cativo, por causa do seu silêncio acolhedor. Ao mesmo tempo o Muito se faz necessário, por causa de seu grito esfaqueador. Tento me equilibrar entre um e outro, esse é o desafio que me propus.

Qual música antiga você não gosta mais de tocar em shows, mas tem que tocar? E qual não toca de jeito nenhum?
Pela primeira vez em em 15 anos eu tirei Último Dia conhecida por ser a abertura da minisséria da O Fim do Mundo, da Globo do show. Às vezes, uma canção tem descansar mesmo, para depois voltar com outra roupa, com uma outra maquiagem. Não significa que eu não goste mais dela, quando a platéia pede muito eu toco...e gosto. Não existe uma canção que eu não toque de jeito nenhum. De algumas não lembro a letra ou os acordes, mas se treinar, eu reaprendo.

O disco Móbile marcou uma mudança significativa na sua sonoridade. Isso se deveu à presença do músico Sacha Ambak?
Sacha e Marcos Suzano. Dois músicos incríveis. Sacha é um pianista delicado que utiliza muito bem o sampler e os sintetizadores. Suzano é um mestre, inventou uma assinatura única no pandeiro e tem uma concepção rítmica muito sofisticada. Sempre procuro músicos melhores que eu. Quero aprender!

Como se vê como artista: um músico curioso ou um cara que prefere navegar por outras linguagens?
Sou um artista metido a besta travestido de intelectual: músico curioso que adora navegar por outras linguagens!

via terra

 

Posted by Paulo Studiow @ domingo, 27 de fevereiro de 2011 0 comments

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