Mick Hucknall do Simply Red : ficaria louco se não mudasse o rumo da carreira


Banda Simple Red lança no dia 16 de maio o DVD de sua turnê de despedida. Foto: Divulgação
O cantor desmentiu a notícia de que teria se desculpado às mulheres com quem foi para a cama

A banda inglesa Simply Red lançará no dia 16 de maio um DVD com show de sua turnê de despedida. Gravado em outubro de 2010 na Austrália,Farewell - Live in concert at Sydney Opera House(Despedida - Show ao vivo na Sydney Opera House) traz sucessos como Holding Back the YearsIf You Don't Know Me By Now e Something Got Me Started.
Simply Red vendeu mais de 50 milhões de álbuns em 25 anos de carreira, e fez 1100 shows para 11 milhões de pessoas. Em entrevista exclusiva ao Terraem um hotel no centro de Londres, o vocalista da banda, Mick Hucknall, diz que poderia até ficar louco se não mudasse o rumo de sua carreira e desmente a notícia de que teria se desculpado às milhares de mulheres com quem teria ido para cama. Ele também anuncia que já está preparando seu novo CD solo.
Por que você decidiu pelo final da banda Simply Red depois de 25 anos de carreira?
Eu achei que tinha chegado a hora de parar porque já esgotei as possibilidades do estilo Simply Red, que é altamente influenciado pela música negra norte-americana dos anos 70 e 80, feita por gente como Barry White. Foi um sucesso, mas não posso mais explorar esse gênero musical. Já fiz o que tinha de ser feito nesse estilo e agora quero explorar mais da minha própria cultura, de onde venho. Não sou um negro norte-americano, sou britânico, e minhas composições agora estão indo muito mais na linha da minha herança cultural e minha tradição, e isso não combina com o estilo Simply Red.
E que herança é essa?
A música inglesa tem uma história incrível, sobretudo nos anos 60 e 70. Esse foi um período de grande criatividade. Isso está no meu sangue e é o que realmente sou, e não o que estou tentando ser. Por saber cantar música soul, ter uma carreira de sucesso, eu poderia facilmente continuar fazendo isso por muito mais tempo. Mas nos últimos anos, lá por 2008, comecei a me perguntar "mas o que eu sou não importa? e a minha herança? e a música britânica?"
Quais são os artistas que te influenciaram?
The Beatles, Rolling Stones, The Kinks, Ray Davies, um compositor fantástico, The Faces, Led Zeppelin. Todos eles foram influenciados pela música negra norte-americana, mas fizeram um estilo original, um som inglês.
Que diferenças podemos esperar na sua música? Qual é seu próximo projeto?
Estou compondo, e compondo ao natural, só para mim mesmo. Não estou tentando ser nada além, não estou nem pensando em não copiar, estou simplesmente sendo eu mesmo. Já tenho sete canções prontas e agora tenho que compor mais cinco. Na verdade, já escrevi duas e meia, então tenho mais duas músicas e meia para poder gravar um CD.
Você pretende lançar seu novo disco independentemente ou por alguma gravadora?
Estamos negociando com vários grupos no momento, mas não espero lançar antes da segunda metade de 2012.
Em uma entrevista recente, você afirmou que não quer mais ser escravo do sucesso comercial e que agora está livre. Pode explicar melhor isso?
É como o que eu quis dizer sobre a influência da música negra norte-americana. É uma influência importante e forte, mas por quanto tempo você consegue ficar fazendo a mesma coisa? Eu quero ser quem eu realmente sou, não o que eu consigo ser.
Quando os seus fãs no Brasil terão a chance de te ver no palco novamente?
Tudo depende do sucesso no futuro. Você percebe que estou correndo um grande risco nessa mudança. É claro que seria fácil para mim continuar ganhando um bom dinheiro, eu poderia dizer "em 2014 Simply Red estará de volta com seus grandes sucessos e nós vamos viajar pelo mundo novamente". Mas, desculpa, eu não posso fazer isso. Não conseguiria. Eu acho que ficaria louco. Sou um compositor, ainda estou escrevendo e tenho que liberar o que estou fazendo para a minha própria sanidade.
A que você atribui esta mudança? Ela estaria relacionada ao nascimento de sua filha em 2008?
Tem um pouco disso por trás, mas a verdade é que na segunda metade do último álbum do Simply Red gravado em estúdio você realmente consegue sentir uma mudança. O meu empresário disse isso, que parte da gravação mais parece um álbum solo, que não soa como Simply Red. E eu comecei a me dar conta de que estava me distanciando daquele tipo de música e precisava me distanciar daquilo. Então, estou indo onde a música está me levando, não é uma teoria acadêmica, não é uma decisão, isso está apenas acontecendo gradualmente.
Que tipo de mudanças artísticas, profissionais e pessoais você sofreu nestes 25 anos de carreira?
Acho que eu estava vivendo uma vida de rock star até mais ou menos 2003. Eu realmente fiz tudo, e tive um estilo de vida maravilhoso. E no final desse período estava ficando meio cansado, gordo, infeliz, me tornando quase um sedutor velho. Eu iria afundar ou então mudar a maneira que estava vivendo. Além disso, estava pronto. Queria ter uma família e queria ter uma relação mais estável, e tive a sorte de estar com a pessoa certa para fazer essa mudança (referindo-se a Gabriella Wesberry, ex-negociante de arte com quem se casou em 2010).
Você poderia comentar as declarações veiculadas sobre um pedido de desculpas às milhares de mulheres com quem você teria ido para cama?
O que me faz rir é que a mídia é como um grupo de amigos que gosta de brincar de telefone-sem-fio. Você diz uma coisa e quando isso chega na quinta pessoa a mensagem já é completamente diferente. Em uma entrevista, eu falei que durante a minha carreira tinha tido alguns arrependimentos.
Falei que achava que eu poderia ter tratado melhor umas quatro ou cinco mulheres que estiveram na minha vida, que elas eram muito especiais e que gostaria de pedir desculpas a elas. Só que no momento em que essa mensagem chegou a uma determinada pessoa ela entendeu que estava pedindo desculpas a todas as mulheres com quem eu fui para cama. Eu não estou pedindo desculpas a todas, estou pedindo desculpas a essas cinco pessoas realmente especiais que eu poderia ter tratado melhor. Eu não era suficientemente maduro e estava vivendo um estilo de vida louco, era um sonho adolescente meu.
E foram milhares de mulheres?
Não quero falar em números, acho que números acabam sendo mais uma brincadeira de homem, mas eu realmente tive um período louco. Então, esse número não é completamente impreciso.
Quais foram os pontos altos e memoráveis destes últimos 25 anos?
O que me impressiona a respeito do Simply Red é a consistência da nossa carreira, o fato de termos hits em três décadas. Eu me sinto orgulhoso por isso. Nós tivemos um sucesso constante. Mesmo quando a minha vida pessoal estava uma loucura, nós conseguimos fazer turnês com sucesso, bem sucedidas comercialmente, além termos gravado álbuns que fizeram sucesso.
Ficou algum arrependimento, algo que você teria feito de outra maneira em sua carreira?
Bom, eu falei dos arrependimentos na minha vida pessoal. Profissionalmente, acho que não tive muitos. Estava feliz vivendo na Europa, não tinha muita ambição de ficar tentando fazer sucesso nos Estados Unidos. Quando os Beatles foram para os Estados Unidos, era mais Elvis, Hollywood, Marilyn Monroe, mais glamour e glória.
Quando a minha geração foi para os Estados Unidos era mais Vietnã, impeachment, Richard Nixon, muita negatividade em torno disso. Então, não tive o mesmo sonho americano que os meus antecessores tiveram. Não tinha a obsessão de atingir successo lá e sabia o quão pesado é preciso trabalhar para isso. Então, fiz essa tentativa umas duas vezes, mas no fundo sabia que eu queria ir para casa. Eu realmente queria manter a minha carreira consistente na Europa, e então poderia trabalhar menos, e foi o que fiz.
Além da carreira solo e de seu vinhedo na Itália, o que mais tem te mantido ocupado?
O vinhedo é um hobbie meu no momento. Musicalmente, estou substituindo o Rod Stewart na banda The Faces em julho, mas ele pode voltar quando quiser. Como vários outros fãs da banda, ficaria muito feliz em ver o Rod se apresentando com The Faces. Nós vamos embarcar numa turnê em breve. Ao mesmo tempo, ando ocupado negociando uma maneira de divulgar a minha música.
O que o público deve esperar deste novo DVD?
Em poucas palavras, este DVD é um documento histórico para a banda. Gostaria de lançar este DVD para registrar isso, para mostrar no futuro do que a banda era capaz, e mostrar também a melhor interpretação das músicas da nossa carreira.
Por que escolheram Sydney como cenário?
Inicialmente, nós pensamos em gravar o último show, mas e se nós tivéssemos algum problema técnico ou qualquer outra coisa não desse certo? Então, nós achamos melhor gravar a banda no meio da turnê, assim daria para tentar de novo mais adiante caso não desse certo. E nós escolhemos Sidney Opera House porque a construção é um ícone, bem apropriado para representar a banda.
Você teve um músico brasileiro tocando na banda, o guitarrista Heitor TP. A música brasileira já contribuiu para seu trabalho de alguma forma?
Eu acho que a música latino-americana definitivamente influenciou o Simply Red a partir do nosso álbum Life (1995). O som da Bahia na música Fairground, e mesmo algo como So Beautiful tem uma melodia meio latina. O DVD que nós gravamos em Cuba (2005) mostra bem isso.
via terra

Posted by Paulo Studiow @ terça-feira, 29 de março de 2011 0 comments

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